Metáforas do caráter – A tesoura, a agulha e a linha

(baseado numa ilustração anônima)

Efésios 4.29; Salmo 127; Pv 16.20

Desde pequena, a esposa se acostumara a lidar com tecidos, tesouras, agulhas e linhas de diversas cores e padrões. A mãe era costureira. Tirava desta lida o sustento da casa e da família.

Casou-se com um homem de negócios. Na verdade, um empresário da área de metalurgia. Ele era exigente com seus empregados. Trabalhava duro. Isto significava ficar muitas horas no escritório ou na fábrica. Viajava bastante para fazer negócios com empresas de vários lugares país. Dizia costumeiramente: Faço assim para dar conforto e garantir o futuro de todos”.

A esposa e os filhos se acostumaram às muitas mudanças de planos. Um jantar com amigos e ele telefona dizendo: “não vou chegar a tempo. Vão sem mim.” Ou, o passeio no parque sábado à tarde: “Tenho que terminar as negociações de um grande pedido.” Também, as conversas entre eles se tornaram mais monólogos, quando não em
reclamações e murmurações.

Numa rara noite em que todos estavam em casa, a filha caçula começou a implicar com o irmão. Vozes alteradas e choros fizeram o pai, concentrado em seu jornal, não querer pertubação do barulho dos pequenos a tomar a atitude de mandá-las para seus quartos. Sem conversa. Sem orientação. Sem solução que trabalhasse o coração das crianças para formar um caráter bom e digno.

A esposa calmamente chamou o marido. Pegou sua caixa de costura com os retalhos da colcha que cosia e pegando a agulha, a tesoura, a linha e os tecidos começou a falar:

- Meu amor, agora não!

- Agora sim, querido!

- Depois, quem sabe, meu bem…

O marido percebeu que sua esposa estava querendo dizer algo. Era melhor sentar, ver e ouvir. No colo da esposa repousava a caixa de costura. Observou por alguns instantes os vários objetos: agulhas; carretéis de linhas; tesoura e tecidos. Não atinava no que a esposa tencionava dizer.

A esposa olhou para seu marido e perguntou:

- Querido, para que serve a tesoura?

- Para cortar. Respondeu em seco.

- E, a agulha?

- Acho que é para costura.

- Meu bem, você pode fazer uma colcha de retalhos só com a tesoura?

Com certa ironia, o marido respondeu:

- Eu nada sei de costura! Lembra disto? Então não faria de jeito nenhum.

- Não estou brincando. Falo sério. Você já me viu fazer uma das várias colchas de retalhos que temos ou que presenteamos outros sem linha, sem agulha, só com tesouras?

- Claro que não, disse meio embaraçado.

A esposa passou a recontar a história de sua mãe. E salientou o seguinte:

- Alguns dias após a morte de papai, minha mãe chamou a mim e meus irmãos, tomou uma colcha de retalhos em suas mãos e falou assim: “nossa família é como uma colcha de retalhos. Cada um representa um retalho colorido. Para que a colcha seja bonita, forte e útil precisa ter os retalhos unidos.”

A esposa com mansidão e amor achegou-se ao marido.
- Eu lhe perguntei se era possível fazer uma colcha de retalhos sem agulha e sem linha. Você respondeu certo: não!

- Você sabe o que quero lhe mostrar?

- Não! Tente me explicar, respondeu o marido.

- Muito bem. Quero que você pense na nossa família como uma colcha de retalho que estamos tecendo.

- O problema é que você só sabe usar a tesoura. Corta nossos momentos de lazer; corta minhas observações num diálogo; corta as conversas com as crianças. Você corta, corta e separa o tempo para você e seu trabalho.

- Acho que você está exagerando, querida?

- Acha? O que acabou de fazer com seus filhos?

- Você deve aprender a unir nossa família. Cada um de nós é um pedaço de tecido. Cada um tem seu estilo, cor, tamanho e beleza. Precisamos do tempo, da sabedoria, da alegria, da experiência de cada um para nos unirmos uns aos outros. Tais coisas são como a linha e a agulha que servem para unir os retalhos.

- Meu esposo: se você continuar assim cortará sua vida das nossas.

O marido ficou imerso no sofá. Era um sinal de iria pensar no que a esposa lhe apresentou. Sábia como era compreendia que mudanças demandam tempo e reflexão. Levantou-se para sair.

- Vou ao quarto das crianças. Estarei lá costurando meus dois retalhos a
mim, pois não as quero separadas de minha vida. Boa noite!

- Boa noite!

Algum tempo depois o marido e pai entrou no quarto e viu as crianças brincando, enquanto a esposa costurava sua colcha de retalhos.
Chamou as crianças até a cama onde sentara e pediu à esposa para parar de
costura e juntar-se a eles num abraço.

 

Sobre admin

Egon Paulitsch. Nasci em Ponta Grossa - Paraná. Formação: Bacharel em Teologia pelo Seminário Bíblico Palavra da Vida - SP. Membro da Igreja Ev. dos Irmãos de Coqueiro em Ananindeua - Pará. Vanete Monteiro Paulitsch - Nasci em Belém - Pará. Formação: Magistério; auxiliar de Enfermagem e Licenciatura em Teologia com especialização em educação cristã - Seminário Bíblico Graça - Belém.
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