Efésios 6.1-4 – FAMÍLIA: FORMAÇÃO, FRUTOS e FUNÇÕES.

Introdução:

Já mostramos nesta conferência, a partir das Escrituras, que o principal significado do casamento é demonstrar a aliança: o amor entre Cristo e Sua igreja. Em outras palavras, o
casamento foi projetado por Deus com significado profundo e, como o mais importante, para ser uma representação ou uma figura da forma como Cristo ama Sua Igreja e, também, da maneira como a Igreja ama e segue a Cristo. Esta é a verdade fundamental para todos os maridos e esposas saberem e praticarem sobre o significado do seu casamento.

Uma revisão rápida: O magnífico retrato do casamento A passagem chave é Efésios 5.23-25. Estamos tão familiarizados com esta declaração que não nos parece uma declaração aterradora, espantosa, fantástica. Quando alguém iria falar sobre o casamento desta forma? Nos três versículos, Paulo diz três vezes: ‘como’.

Versículo 23: o casamento: como também Cristo é a cabeça da igreja.

Versículo 24: o casamento: como a igreja está sujeita a Cristo.

Versículo 25: o casamento: como Cristo amou a igreja.

Por isso, podemos deduzir das afirmações do apóstolo Paulo que o sentido último da relação marido e esposa não está no próprio casamento. Não está no marido e não está na mulher e, também não está nos filhos. O sentido último do casamento está na figura que ele representa do relacionamento de Cristo a Igreja. O casamento é uma obra magnífica, porque é modelado pelo Senhor que é magnífico – “como Cristo é a Cabeça” e aponta para um alvo magnífico – “a glória de Deus”. O amor que une o homem e a mulher no matrimônio é um amor magnífico porque retrata o ato magnífico “como Cristo amou a igreja” e uma atitude magnífica “como a igreja está sujeita a Cristo.” A grandeza do casamento não está em si mesmo. A grandeza do casamento é que ele exibe algo sublime: a unidade entre Cristo e a Igreja.

O relacionamento Pais e filhos:

O 5º mandamento não é o primeiro com promessa. Em Êxodo 20.6 vemos que o 2º mandamento tem promessa. A intenção de Paulo é expressar uma categoria e não ordem numérica. Um mandamento primeiro nas palavras do texto indica – mandamento de primordial significância.

Duas (2) atitudes recomendadas:

1ª – Filhos honrem seus pais. 6.1-3

Honrar é mais que obediência. É uma atitude de coração e mente. Está predisposto a amar, cuidar; ajudar. Tem em alta consideração e posição e estima. Honrar é respeitar opiniões; entender as diferenças de época, formação e cultura. É considerar digno de participar das decisões de vida. Também, de envolver nos projetos e sonhos. Honrar é falar bem; orar por eles; acudi-los nas necessidades. Honrar é não se envergonhar. Honrar é sustentar os pais quando estes não têm condições financeiras para se manterem.

O que é não honrar pai e mãe?

Amaldiçoar – Levítico 20.9 – Tais filhos deveriam ser mortos.

Rebelião; rejeição de instruções e conselhos; negligência; ridicularizar; desprezo.

O 5 º mandamento no decálogo finaliza a primeira metade. No decálogo a família recebe atenção, pois 3 mandamentos estão diretamente relacionados à família. Isto nos mostra o valor que Deus dá a família e o Seu alvo de santificação na vida familiar. Então, a posição dos pais é santificada por Deus. A autoridade dos pais representa a autoridade de Deus. A Bíblia impõe aos filhos obediência aos pais e àqueles que estão investidos de autoridade. Os pais têm grande responsabilidade no desenvolvimento sábio e sadio da obediência dos filhos. Por que isto é importante? A rebelião é um mal que está arraigada no coração do ser humano. Uma criança que não aprende a obediência dentro do ambiente familiar será um jovem ou adulto desajustado. Consequentemente, a sociedade sofrerá os resultados da quebra de autoridade. Não é a toa que Paulo indica que a desobediência é uma das marcas dos últimos dias – 2ª Tm 3.1-2. A sociedade atual respira e ensina o desprezo pela autoridade.

Três observações importantes:

1ª – o contexto do parágrafo é regido pela ordem da ‘enchei-vos do Espírito Santo;

2ª – o contexto do tema da submissão na seção de Efésios.

3ª – o sentido da palavra autoridade: ‘fazer após ter ouvido’. A palavra tem sua interpretação de quando escuto algo devo me colocar debaixo do que ouvi; colocar-se sob o comando aquele que instruiu ou falou algo. O reformador Lutero e a confissão de Westminster interpretam a ordem do versículo como sujeitar-se não só aos pais naturais, mas a todos que estão investidos de autoridade.

Como os filhos devem obedecer aos pais?

Efésios 6.1 – …no Senhor. Ver Colossenses 3.20

É possível vermos nisto uma limitação à obediência. Obedecer dentro dos preceitos e mandamentos de Deus. Também podemos entender a expressão como indicação de tipo ou estilo de obediência – assim como Cristo obedeceu ao Pai, assim devem os filhos obedecer aos seus pais. Para o apóstolo Paulo, a obediência de um filho deve ser de sinceridade de coração; com uma atitude voluntária e feita para agradar a Deus.

Isto requer do filho uma mente e coração que não se entrega às murmurações; às chantagens emocionais. Desenvolver hábitos de gratidão pelas ações dos pais; de reverencia e respeito por serem eles autoridade e os canais que Deus usou e usa para transmitir sua Graça e Vida.

A expressão de Paulo coloca um limite quanto a obediência.

Um filho crente deve obedecer uma ordem de seu pai quando esta contraria um mandamento ou preceito bíblico? O texto de Colossenses usa a expressão ‘em tudo’. O que isto significa? O sentido é: completamente; sempre. Então, o pensamento de Paulo é de obediência continua e não esporádica. Paulo escreve pensando em pais crentes que são orientados pela palavra e pelo temor de Deus, portanto não pedirão coisas cruéis ou absurdas aos seus filhos.

Pais descrentes podem pedir coisas que conflitam com a Palavra de Deus. Pais, sob orientações de seu grupo religioso, podem fazer ou pedir coisas que conflitam com a saúde ou a ética. Até que ponto deve um filho obedecer a seus pais?

Tomamos o seguinte princípio: quando duas ordens ou mandamentos se chocam, devo obedecer à autoridade maior ou principal. O exemplo é de Pedro em Atos 5.29. Assim devemos dizer aos filhos: obedeçam sempre aos seus pais, mas se alguma ordem confrontar-se com um mandamento de Deus, obedeça ao Senhor. Muito cuidado com isto para não dar margem à rebelião natural do coração pecaminoso.

Exemplo: Maria José – moça que se converte. A mãe não permite que ela participe das reuniões da igreja. O que fazer? O que aconselhar para a Maria José? O Pastor foi sábio. Orientou a jovem a obedecer a sua mãe. Maria, porém precisava de discipulado e orientação bíblica. Reuniu um grupo de jovens que se reuniam algumas tardes na praça da cidade e assim por vários meses ensinaram a Palavra. Enquanto isto, a igreja orava para que Deus trabalhasse no coração da mãe. O que de fato aconteceu mais tarde. A senhora se converteu, também. Em seu testemunho público de fé disse: “A atitude de Maria José foi o instrumento de reflexão que Deus usou em mim. Maria não era uma jovem que obedecia com facilidade, mas depois que me disse que era crente e queria frequentar uma igreja, duvidei. Com o passar dos dias vi mudanças em sua vida. A principal: ela não brigou quando disse que não permitiria que viesse às reuniões da Igreja. Isto impactou minha vida”.

Há duas razões no texto para o filho obedeça aos pais.

1ª – É justo.

A palavra tem o significado de: apropriado; conveniente; de acordo com a lei natural. Pensamos disto o seguinte: Os pais têm experiência, portanto é conveniente dar-lhes atenção. Os pais são autoridade, assim obedecer é uma lei natural na criação. Os pais doaram-se para criar os filhos, assim sendo é apropriado manifestar gratidão e honra.

2ª – É um mandamento com promessa.

Desobediência é pecado. Filho se você costuma desobedecer a seus pais, pergunte-se sobre sua conversão. O filho crente entende que obedecer aos pais é honrar ao Seu Deus.

O que envolve a promessa?

Tem dois resultados: tudo irá bem e longevidade.

A obediência ou não, não é o único fator determinante para uma vida longa ou para o sucesso. O AT, via de regra, relaciona promessa com bênçãos materiais. No AT o mandamento podia ser interpretado por dois ângulos: vida longa e terra na qual morar. A vida longa indicando mais tempo de comunhão com Deus. Terra para morar indicando a fidelidade de Deus às Suas promessas.

A promessa continua para a Igreja. Filhos que desenvolvem a atitude de obediência e honra aos pais recebem o cumprimento da promessa.

O pai piedoso ensina, adverte, exorta. O filho desobediente pode se envolver em vícios e vir a morrer.

Filhos: busquem uma vida cheia do Espírito Santo. Avaliem seus relacionamentos com seus pais. Procurem seus pais e peçam perdão por atos de rebelião, de desonra; de negligência.

2ª – Pais conduzam seus filhos. 6.4

A palavra que Paulo usa descreve pais no sentido masculino. É possível que Paulo quisesse enfatizar os papais. Temos, porém indicações de que as mães não são excluídas do pensamento e da intenção da ordem. Vale frisar: os papais são responsáveis pela vida doméstica; criação e educação dos filhos.

As responsabilidades da criação:

(1) – Não provocar os filhos à ira.

Algumas maneiras de provocar a ira de um filho.

Favoritismo (Isaque e Rebeca erram nisto);

Negligência (não disciplinar; não educar. Davi pecou nisto; Eli pecou nisto)

Dureza (palavras ásperas e críticas; ações físicas)

Protecionismo (atitude superprotetora. “meu filho não faz isto”!)

John Gill anota outras: ordens injustas e irracionais; linguagem censurável; críticas frequentes e públicas; expressões nervosas, indiscretas e cheias de raiva; violência física; dar em casamentos impróprios.

Augustus Nicodemus acrescenta algo de muita importância: viver de uma forma incoerente com o que diz aos filhos.

(2) – criar os filhos na disciplina

A disciplina bíblica tem duas áreas: Vara e valores.

Disciplina é educação por meio de regras e recompensas. Atentem: Regras sem relacionamentos resultam em rebelião. Um relacionamento baseado no amor e na amizade é fundamental para que a vara tenha efeito.

O uso da vara requer:

Motivo certo – A criança violou uma regra estabelecida. O castigo físico é a recompensa merecida pela violação. Agir com critério e amor.

Atitude certa – Amor e nunca com raiva. Martin Lloyd-Jones diz: ‘Se fizer com raiva quem precisa de disciplina é o pai’.

Área certa – não na cabeça, costas, peito, orelha. O bumbum é o local feito por Deus para receber a disciplina física.

Lugar certo – Use a vara num local reservado.

Criar na disciplina é amar carinhosamente o filho.

O uso de valores tem o objetivo dê:

Ensinar posições – amizades; programas de TV; literatura; internet…

Ensinar postura – Comportamento na casa de outros; na igreja; à mesa para comer…

Ensinar princípios – Modelar o caráter; falar a verdade; ajudar outros; cumprir compromissos; ser pontual; falar bem de outros…

(3) – criar na admoestação

“A admoestação é educar eficazmente por meio da palavra falada e através do ensino, advertência ou estímulo”. William Hendriksen

Não é mera formalidade ou disciplina suave. É algo intenso que envolve tempo, conversa e interesse genuíno. A disciplina e a admoestação devem ser feitas como Paulo ensina: ‘no Senhor’. A vida e o caráter dos pais são envolvidos, pois a criança precisa de conduta cristã e exemplo.

Os pais têm a responsabilidade pela educação ética, moral, acadêmica e espiritual dos filhos. Não é o estado, nem a igreja que deve fazer. A igreja, sociedade e estado são colaboradores dos pais. A maior influência sobre os filhos está na vida dos pais. O princípio norteador para os pais é: agir, viver e ensinar de maneira a conduzir o coração dos filhos ao coração do Salvador e Senhor Jesus. A preocupação maior de pais crentes é com a lealdade dos filhos a Cristo do que com saúde, escolas, prosperidade financeira. São áreas importantes, mas não fundamentais.

Pais – avaliem seu papel na criação e educação de seus filhos. Você tem vivido Cristo? Suas atitudes revelam que você está cheio do Espírito Santo?

Abra um tempo de conversa com seus filhos. Pergunte: o que tenho negligenciado para com vocês? Quais são as minhas atitudes que provocam a ira de vocês? Não importa a idade deles. Converse. Acerte com pedido de perdão.

Se seu filho tomou rumo contrário às suas instruções bíblicas, perdoe. Ore por ele.

 

Sobre admin

Egon Paulitsch. Nasci em Ponta Grossa - Paraná. Formação: Bacharel em Teologia pelo Seminário Bíblico Palavra da Vida - SP. Membro da Igreja Ev. dos Irmãos de Coqueiro em Ananindeua - Pará. Vanete Monteiro Paulitsch - Nasci em Belém - Pará. Formação: Magistério; auxiliar de Enfermagem e Licenciatura em Teologia com especialização em educação cristã - Seminário Bíblico Graça - Belém.
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