Salmo 127 – Família: Formação e frutos fundamentados no Senhor

Gostaria de começar com uma estatística acerca da vida familiar, mais especificamente sobre os filhos, realizada em 2008.

- cresce o número de adolescentes que se tornam mães solteiras;

- cresce o número de adolescentes que fazem aborto;

- aumento ano a ano do número de jovens que são portadores de doenças sexualmente transmissíveis;

- aumento, entre os adolescentes, dos usuários de drogas e álcool. No Brasil (dados de 2010): 13% dos consumidores de drogas e álcool estão entre os 10 e 14 anos;

- média de 06 adolescentes (por país) ao ano cometem suicídio;

- aumento do número de divórcios no Brasil ano de 2010 foi de 300%;

- estudo feito no final do século passado em 48 países de todos os continentes revelou o seguinte entre adultos homens que cometem crimes: “a criminalidade entre adultos é maior no grupo em que tais pessoas foram criados por mulheres sozinhas.”

Alarmante? Isto serve para nos mostrar o quanto é importante o papel, a pessoa e a postura do pai no lar e na vivência familiar. O ensino do salmo 127 desafia a cada pai e mãe a pensar e repensar sua função no lar e na família. As consequências serão sentidas pelos membros da família e pela sociedade. É também uma palavra de alerta para quem vive na expectativa errada de ser mãe solteira; do divórcio como alternativa simples e fácil. Nós que somos a Igreja precisamos ser estimulados a manter o padrão bíblico e ter uma ação edificante que minimize os problemas e maximize as oportunidades de formar adultos sadios e equilibrados.
No coração de quase todo marido e esposa – pai e mãe há uma pergunta inquietante: O que fazer para que meus esforços na criação e manutenção da família não se torne um trabalho inútil ou em vão?

Também, há outras perguntas que assombram as mentes dos pais: Os meus dias futuros serão de alegria e satisfação? Verei com prazer a conduta e as decisões dos meus filhos?
Penso que o rei Salomão percebeu que tais questionamentos existiam entre seus patrícios em Israel. A sua resposta e ensino está no salmo 127. São as orientações que Deus dá a todo pai e mãe que faz as perguntas acima com temor. Pais que não querem ver o fruto de seu trabalho na formação e construção da família ser qualificado como inútil. Pais que não querem comer o pão amargo das atitudes insensatas e vergonhosas de seus filhos.

No Salmo 127, Salomão ensina que: “A satisfação na vida familiar depende da proteção e da provisão ofertadas por Deus”.

A satisfação é anseio de todo o ser humano. Todos querem e buscam uma vida de alegria, prazer. Salomão, há mais ou menos 2900 anos atrás já sabia disto. Pelo estudo da Palavra entendemos que a satisfação real só se consegue quando há uma compreensão da presença e da participação de Deus na vida. Também quando temos uma atitude submissa ao plano de Deus. Caso contrário, não haverá sentido verdadeiro na vida.

Três (3) atitudes que casais e pais devem tomar para não beber as águas amargas da frustação e não ter que concluir que seus esforços foram em vão na criação e manutenção da família. Atitudes quando praticadas com oração, temor e meditação na Palavra trará a gratificação a mente e paz ao coração.

1ª atitude: Deixar Deus ser partícipe na edificação da família. 127.1a

Salomão utiliza a construção de uma casa para dela tirar a figura da edificação espiritual, moral, ética e educacional da família. O que sabemos sobre construção de casa? Terreno; fundação sólida; material bom e de acordo com especificações técnicas; orientação especializada de engenheiro… Quando há esta responsabilidade, então há uma expectativa de que a casa será bem construída e segura para morar. Os esforços valerão a pena. Vamos trazer tal verdade aplicada à figura: se Deus não participa desta empreitada, a obra poderá ruir, cair. Assim uma família em que Deus não participa da sua formação, construção estará destinada à ruína. Deus pela Sua providência pode deixar que construamos nossa família com materiais fracos, errados para mais tarde mandar a tempestade que a derrubará. Lembremo-nos da parábola de Jesus: O sábio construiu na rocha e o tolo na areia. Deixe Deus participa da edificação de sua família. Seja sábio e utilize os materiais que a Bíblia recomenda. Isto trará satisfação ao seu coração. Quando você estiver com os filhos na juventude e na fase adulta terá a recompensa da alegria de vê-los nos caminhos de Deus; andando na verdade; praticando a justiça.

Aqui há o elemento da soberania e da providência de Deus na construção. Valendo-se da figura: Deus pode, depois de algum tempo, permitir problemas na estrutura da casa. Uma construção pesada ao lado impactou o solo de tal maneira que minha casa foi afetada. Ou problemas de ordem da natureza afetou a construção. Depende de Deus e Seu plano para minha vida. Assim, às vezes, numa família fiel e temente, Deus pode deixar a tempestade afetar a estabilidade da família, pois Deus tem um plano para aquele filho ou aquele pai. Uma doença; um envolvimento com algo proibido por um filho; um adultério, situação que tira a satisfação e instala a dor. Como reagir? Deus é sábio, justo e santo. Suas ações não são feitas por impulso e nem tampouco Deus está alheio ao se passa conosco. Ele é fiel e retribui e abençoa nossa fidelidade, nossa obediência e dependência Dele. Mas, se Deus participa da edificação de nosso lar, então, as dificuldades são momentâneas e com propósitos definidos pelo Soberano de nossas vidas. Devemos descansar no Seu cuidado. Se temos, porém a consciência de que não deixamos Deus participar da construção e vemos os efeitos desastrosos na família, o que fazer?  Agir com confissão e arrependimento dos pecados. Buscar ajuda para reconstruir os relacionamentos através das orientações bíblicas. Orar e confiar na Graça e na misericórdia de Deus para operar as mudanças necessárias.

2ª atitude: Deixar Deus ser o protetor na edificação da família. 127.1b

O sentimento de segurança tem um sentido óbvio neste ponto. Uma pergunta inquiridora: Como a segurança pode ser adquirida? Uma resposta simples, mas verdadeira: depende da vontade de Deus. Veja como Salomão trata o assunto.

Ele se vale da realidade da cidade de Jerusalém. Ela era cercada por muros altos e com várias torres de vigilância. As sentinelas ou atalaias precisavam estar alertas, pois havia o perigo dos inimigos externos. É isto que o salmista descreve no Sl 130.6 – ‘A minha alma anseia pelo Senhor, mais que os guardas pelo romper da manhã. ’ O uso da figura visa demonstrar que há perigos externos que rondam nosso lar. Os pais dedicados oferecem aos filhos, no ambiente do lar: amor; atenção; alimentos; cuidados físicos, emocionais e espirituais; educação. Tais coisas, entretanto não são suficientes para eliminar os perigos. O cônjuge amoroso vigiará suas atitudes, pensamentos e compromisso com o outro e com Deus. Sigamos o pensamento de Salomão: em vão vigia a sentinela. Se nós confiamos em Deus, então podemos dormir tranquilo e sem guardas, pois Deus nos protegerá? Poderia se pensar: confio em Deus, posso assim deixar a minha casa sem chaves e cadeados, alarmes. Por que há a menção de guardas?  Há a ação da providência de Deus: permitir que os inimigos venham atacar. É isto que a figura da sentinela em vigilância representa e ensina. Reforça, também, a verdade de que não há garantias de que os perigos externos não atingirão minha família. Não estamos isentos do ataque do inimigo. Mesmo que os pais sejam dedicados ao Senhor e desempenham bem seu papel na criação dos filhos temos que entender: há perigos externos. Mesmo que um cônjuge viva fielmente ao Senhor e busque no relacionamento conjugal aplicar os princípios para um relacionamento que atenda as necessidades do outro, não está isento dos perigos externos contra seu casamento. Quais são alguns dos perigos externos? Filhos – As amizades falsas da escola ou de alguém da família; da TV; da internet. Cônjuge – Pornografia; um(a) sedutor(a) entre os colegas de trabalho ou vizinhança ou família; o outro vivendo a vida cristã hipocritamente. Quando Deus participa e dá Sua proteção por meio da Palavra e da comunhão possibilitará que a família tenha a consistência e a solidez necessária que a tornarão feliz e útil à sociedade.

Desenvolva os valores espirituais, morais e emocionais na vida de seus filhos. O juízo moral é o mais complexo de se desenvolver do que o desenvolvimento mental e corporal. A criança aprende mais os valores morais pelo que vê e que percebe no ambiente em que vive. A criança deve aprender os valores vivendo e não, somente, falando deles.
Pais: demonstrem que vocês aceitam seu filho. É fácil exigir e querer um padrão elevado do filho. Ele não é perfeito. Tem limitações. Tem suas características. Amem-no. Diga isto para ele sempre que puder. Filhos inseguros e emocionalmente abalados são gerados na convivência de cobranças sem relacionamentos; de exigências sem referências e sem afetos. Regras sem relacionamento resultam em rebelião.

Quando nos cercamos da proteção de Deus, então teremos satisfação. Fazemos isto por meio de orarmos por nossos filhos; de estudarmos a Palavra com eles, mas, principalmente, de viver as verdades de Deus na presença deles.

3ª atitude: Deixar Deus ser o provedor na edificação da família. 127.2-5

Salomão não está sugerindo a preguiça nem a inatividade. O verso 2 é um contraste entre  desespero desenfreado do materialismo que conduz ao ativismo e que faz dos bens de consumo seu deus funcional com a dependência disciplinada de Deus daqueles que optam por viver num relacionamento vivo com Deus em obediência aos seus mandamentos, preceitos e princípios bíblicos. São crentes que aprenderam a descansar em Deus. Confiam no Senhor, pois Ele é Seu Senhor e bem maior como diz Asafe no Sl 73.25.

Os pais que dependem de Deus trabalham arduamente para sustentar sua família. São dedicados. São conscientes da soberania e providência de Deus. Aceitam alegremente que não terão tudo o que querem. Vivem no ambiente do lar o segredo de Paulo em Fp 4.11.

O filho que presencia seus pais nas dificuldades, tais como: desemprego; doenças; dívidas e têm uma atitude de confiança em Deus e trazem nos lábios uma palavra de alegria e regozijo em Deus, certamente, recebe um impacto edificante, educacional e estimulante à sua vida. De igual modo, quando os bons resultados acontecem e os pais manifestam seu reconhecimento e louvor a Deus. É um ensino útil ao seu caráter. Tal filho tem seu caráter forjado nos princípios da Palavra de Deus. O mesmo vale para a vida conjugal. O cônjuge é edificado e estimulado à santidade e fidelidade através da atitude de contentamento e submissão à vontade de Deus; da busca em oração pelo conforto e provisão de Deus.

Inúteis diante das situações difíceis, duras e desastrosas são: palavrões; reclamações; murmurações com o governo, chefe e Deus. Ou, jogar a culpa no cônjuge ou em Deus. Deus prove. Ele abre e fecha portas. Dá oportunidades para desenvolver, crescer no trabalho. Nosso trabalho é descansar em Deus, pois Ele está no controle de todas as coisas. A nossa postura em qualquer situação é proceder com fidelidade. As bênçãos vêm de Deus.

Vejamos o exemplo que Salomão dá. Filhos. Eles são os frutos da provisão de Deus à família. Na época do rei sábio ter muitos filhos era importante. Uma época em que não havia aposentadoria, seguro de vida. A boa aposentadoria e o melhor seguro de vida eram os filhos. Eles cuidariam dos pais na velhice. Eles ajudariam nos trabalhos do campo. Eles seriam uma força diante dos inimigos. O guerreiro na época de Salomão não desperdiçava suas flechas. Assim, os pais devem preparar seus filhos para que não se percam. Os princípios que Salomão alista aqui são fundamentos para a segurança dos pais e dos filhos; são elementos que formam a expectativa de satisfação na vida.

Pais reflitam no seguinte:

Pais espiritualmente ausentes geram filhos emocionalmente ausentes.

Pais fisicamente ausentes geram filhos emocionalmente carentes.

Pai, como está sua vida com Deus? Mãe, como está sua comunhão com Deus?

Aproveite e valorize o tempo que vocês têm juntos. Não deixe a TV, a internet e o vídeo game ser o passatempo preferido. Converse, brinque, passeie com seus filhos.

Pais que são achegados aos filhos terão como recompensa:
Filhos satisfeitos com a vida;

Filhos que se absterão da fornicação;

Filhos que adotarão bons padrões de moralidade;

Filhos que frequentarão a igreja;

Filhos que se dedicarão à oração e à Palavra.

Voltemos aos dados da pesquisa mencionada no inicio da mensagem. De que maneira a igreja pode ajudar filhos que não convivem com o pai ou família desestruturadas? As famílias da igreja devem suprir tal ausência. Pais convidem esta criança, adolescente ou jovem para uma refeição, passar um final de semana com sua família. Faça com que este filho tenha nos pais que frequentam a igreja o referencial de pai e família que necessita e assim contribuir para a formação emocional de um filho sem pai presente.

Sobre admin

Egon Paulitsch. Nasci em Ponta Grossa - Paraná. Formação: Bacharel em Teologia pelo Seminário Bíblico Palavra da Vida - SP. Membro da Igreja Ev. dos Irmãos de Coqueiro em Ananindeua - Pará. Vanete Monteiro Paulitsch - Nasci em Belém - Pará. Formação: Magistério; auxiliar de Enfermagem e Licenciatura em Teologia com especialização em educação cristã - Seminário Bíblico Graça - Belém.
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