Estudo Bíblico – Efésios 6.1-3

Estudo bíblico acerca da obediência no relacionamento pais – filhos.

por: Egon Paulitsch e Graham Nash (IBN/2006)

“Filhos, obedecei a vossos pais no Senhor, pois isto é justo.  Honra a teu pai e a tua mãe (que é o primeiro mandamento com promessa), para que te vá bem, e sejas de longa vida sobre a terra.”

“Estamos absolutamente certos de que famílias fortes e biblicamente estruturadas são a base de igrejas igualmente fortes e bíblicas. Como o corpo humano que precisa de um esqueleto, uma estrutura, para manter-se e funcionar, assim a igreja precisa da solidez e da segurança de famílias harmoniosas, coesas e fortes.” (A N Lopes e M S Lopes – A Bíblia e a sua família)

Nosso estudo está baseado no texto sobre a vida familiar cristã em Efésios 5.15 – 6.4. Realmente, vamos concentrar nos versículos 1 a 3 do capítulo 6, mas é importante primeiramente descobrir algo importante sobre o contexto.

Leia Efésios 5.15 – 6:4

O contexto de obediência

Segundo o apóstolo Paulo, o contexto imediato de uma família cristã bem estruturada é a comunidade dos santos em Cristo, ou a igreja (vs. 18-20). Há três implicações deste contexto para a família.

A comunidade deve deixar-se encher pelo Espírito Santo (v. 18). Isto não significa que a igreja pode existir sem o encher do Espírito, porque a palavra significa “continuar em ser cheios com o Espírito”. A igreja está repleta com o Espírito Santo por definição, mas precisa continuar a buscá-LO. O importante fato do contexto significa que não podemos dissociar a espiritualidade da vida familiar. Podemos começar a ser cheios do Espírito por colocar em ordem os nossos relacionamentos familiares. Também nossa vida espiritual afeta diretamente a nossa vida familiar. A raiz da infelicidade em muitas famílias – mesmo cristãs – é a dureza do coração humano e, portanto a única coisa (realmente a única pessoa) que pode mudar esta condição é o Espírito Santo de Deus.

  1. A família cristã florescerá no contexto da comunidade de adoração, louvor e agradecimento. Muitos problemas em famílias surgem das atitudes egoístas. A igreja deve ser o antídoto dessa condição porque é o lugar onde nos lembramos do fato que Deus é soberano, mas deu seu único filho para nos salvar. A comunidade que Paulo descreve nos versículos 18-20 é uma comunidade completamente satisfeita na provisão de Deus. Neste contexto somos lembrados regularmente da grande misericórdia de Deus que evita o egoísmo.
  2. A igreja também é o lugar onde observamos os princípios de submissão e amor demonstrados perfeitamente no relacionamento da trindade (pelo ensino Bíblico), e imperfeitamente nas vidas dos nossos líderes. Mesmo sendo exemplos imperfeitos, é importante observarmos os sucessos e as falhas dos nossos líderes. Daí, então podemos aprender como funciona este princípio de submissão e obediência na vida cristã.

O que significa obedecer?

Antes de buscamos o sentido da palavra obedecer no texto, vamos considerar o que Paulo quer dizer com: “Filhos”. A palavra é abrangente. Embora o sentido óbvio seja a descendência legítima e imediata (filhos naturais) no contexto, inclui todos que estão sob a autoridade dos pais, como filhos adotivos e outros na casa sob sua responsabilidade. Também, na visão dos Efésios este mandamento de Paulo aplicava-se para todas as idades. Tradicionalmente, a igreja tem usado este texto para argumentar em favor de outros obedecerem os que têm autoridade sobre nós em virtude da sua função, honra, idade ou posição.

Paulo usa a mesma palavra obedecer em 6.5 para descrever o comportamento do escravo cristão nos afazeres do serviço ao seu senhor. De fato, este contexto do serviço é visto num dos sentidos legítimos da palavra que é: “responder à batida na porta” e pelo seu uso na forma verbal em Atos 12.13. Paulo objetiva que os filhos sejam atentos aos seus pais, não somente obedecendo à risca os seus pedidos e mandamentos com má vontade, mas buscando o bem estar deles.

Nos versículos anteriores, Paulo explica como maridos e esposas devem se comportar e a palavra que ele usa é submissão. Enquanto o tema de submissão continua no texto, existe uma grande diferença qualitativa entre o relacionamento comjugal e o relacionamento de pai e filho. É completamente inapropriado para um filho agir de maneira igual ao seu pai ou uma filha agir da mesma maneira da sua mãe na casa paterna.

Questões para refletir

  1. Praticamente, como você pode mostrar uma atitude atenciosa que revele obediência aos seus pais?
  2. Quais são as outras pessoas na sua vida que exigem a mesma honra e obediência? Há diferenças nos limites desta obediência? Quais são?

Paulo dá 3 motivos para obedecer nossos pais e vamos estudá-los um por um aplicando o ensino às nossas vidas. (baseado em J. Stott – Efésios)

1. O motivo da natureza

Filhos, obedecei a vossos pais no Senhor, pois isto é justo.

Cada sociedade reconhece a natureza básica da autoridade dos pais no lar. Não é única coisa da ética cristã e não depende da revelação de Deus. Realmente, podemos dizer que esta lei está escrita no coração do homem. É claro e naturalmente justo e sensato que pais tenham autoridade sobre seus filhos; e os filhos devem obedecer seus pais em virtude disso.

É claro que algumas civilizações na história do mundo têm abandonado esta ordem natural da família, porém a história nos ensina que isto conduz a queda da sociedade. Em nossos dias, há um movimento na pedagogia que quer rejeitar a noção que os pais sabem melhor. Eles valorizam a criança tanto ao ponto de suplantar o valor e a autoridade dos pais. Realmente, esta idéia está atrás do método de ensino Montessori que é muito popular nas classes média e alta através no mundo ocidental. Neste método a criança é seu próprio professor, e o “professor” é meramente um ajudante no processo de aprender, sem autoridade.

Questões para o grupo

  1. Cite outras indicações que a sociedade Brasileira está abandonando a ordem natural nos relacionamentos entre pais e filhos? Quais são?

Uma sociedade que rejeita esta lei natural está condenada por Deus como lemos em Romanos 1.28-30 e 2ª Timóteo 3.1,2. Esta degeneração caracteriza a sociedade mundana nos últimos dias entre a primeira e a segunda vinda de Jesus. Não devemos ficar surpresos por vermos isto acontecer em nossos dias.

2. O motivo da antiga aliança.

“Honra a teu pai e a tua mãe (que é o primeiro mandamento com promessa), para que te vá bem, e sejas de longa vida sobre a terra.”

Neste versículo, Paulo junta os dois textos de Êxodo 20.12 e Deuteronômio 5.16 sendo as duas ocorrências do quinto mandamento. Provavelmente, você já saiba que é tradicional dividir os dez mandamentos entre as duas tábuas: a tábua dos nossos deveres a Deus e a outra ao nosso próximo. A maioria das igrejas dividi desigualmente com os quatro primeiros na primeira tábua e os seis últimos na segunda. Porém, a tradição Judáica coloca o quinto mandamento na primeira tábua como um dos nossos deveres especificamente a Deus. Isto representa duas verdades:

1.  A autoridade dos nossos pais é delegada por Deus e, portanto obedecer aos nossos pais é obedecer a Deus.

2. Se amamos e tememos o Senhor, vamos honrar e obedecer nosso pais. Levítico 19.1-3.

Deus estruturo o universo e para organizá-lo usou o princípio de delegar autoridades. A sociedade só pode existir porque existem autoridades com responsabilidade de governar. Na igreja isto também é verdade. Deus ordenou autoridades para governar os santos segundo a Sua Palavra.

A própria divindade segue esse princípio hierárquico. Em 1ª Coríntios 11.3 Paulo escreve: “Quero, entretanto, que saibais ser Cristo o cabeça de todo homem, e o homem, o cabeça da mulher, e Deus, o cabeça de Cristo.” Sabemos que Deus Filho é igual a Deus Pai em glória, honra e poder (João 10.30), mas o Filho voluntariamente se submeteu ao Pai para consumar o plano de redenção (Fp 2.5-8). Neste sentido, o Filho pode dizer, “o Pai é maior do que eu” (João 14.28). A autoridade dos pais não significa que eles são mais valorizados por Deus, significa, sim, que eles fazem parte do governo de Deus em virtude da sua posição, com toda a responsabilidade que este papel implica.

Paulo dizia também que obedecer ao quinto mandamento assegura uma promessa dada por Deus. A promessa é dar vida longa e prosperidade. Precisamos entender qual é o sentido dessa promessa para a igreja. Durante o tempo dos reis de Israel e, especialmente de Davi e Salomão, as bênçãos de Deus segundo a aliança eram estreitamente ligadas à terra prometida, à segurança, à saúde e às boas colheitas na terra. Porém, agora que a bênção do evangelho passou para todos os povos, Paulo adapta o texto e aplica-o para universalidade da igreja, pois diz “sobre a terra” ao invés de “na terra que o Senhor vosso Deus vos dá”. Mesmo com esta modificação, a pergunta óbvia é: Há um aspecto físico nessa promessa, ou as bênçãos serão somente espirituais pra nós?

Para responder devemos nos lembrar que os dez mandamentos foram dados para a nação de Israel e não somente para pessoas individuais. É claro que uma pessoa podia errar na sua obediência ao quinto mandamento e continuar vivendo na terra prometida. Também, um soldado no exército de Davi que obedeceu este mandamento no seu coração morreu numa guerra santa contra os inimigos de Deus. Mas, estas exceções não anulam a promessa que foi dada para a nação.

Podemos aplicar assim:

  1. As bênçãos que esperamos são, principalmente, espirituais e a nova terra na eternidade é parte desta esperança.
  2. Não devemos esperar uma recompensa individual nesta vida (embora seja possível), mas podemos ver o cumprimento da promessa de modo geral. Uma igreja (e também uma sociedade) que tem uma base sólida de relacionamentos, por serem biblicamente estruturados, será uma igreja saudável e abençoada por Deus.
Questões para o grupo

Imagine uma situação na assim na igreja: Um cristão, cujos pais recentemente faleceram, está chateado sobre a divisão dos bens no testamento, especialmente, por causa das muitas horas que passou cuidando deles nos últimos anos de suas vidas. Qual seria o seu conselho?

3. O motivo do Evangelho

“Filhos, obedecei a vossos pais no Senhor, pois isto é justo.”

O terceiro motivo introduz o evangelho, pois é subentendido que os filhos conhecem o Senhor. Realmente, a responsabilidade dos filhos cristãos é mostrar a verdade do evangelho nos seus relacionamentos familiares.

Nossos pecados foram perdoados e devemos perdoar os pecados dos nossos pais. Se um evento passado prejudica nosso amor por eles quando recordamo-no e, desta forma, nosso respeito, precisamos deixar esta injúria ao pé da cruz. O evangelho nos motiva a pensar mais na outra pessoa do que em nós mesmos. Obedecemos nossos pais por amor a eles e a Deus. Jesus nos mostra como deixar nossos próprios interesses em favor do outro por causa do amor de Deus Pai (Filipenses 2.1-11).

Questões para refletir

  1. No caso dos pais incrédulos e hostis ao evangelho, qual é a responsabilidade do filho cristão menor de idade? E, do filho cristão adulto?
  2. Como este mandamento para obedecer nossos pais relaciona-se com as palavras de Jesus em Mateus 10.34-38 sobre os efeitos do evangelho em nossas famílias?

Sobre admin

Egon Paulitsch. Nasci em Ponta Grossa - Paraná. Formação: Bacharel em Teologia pelo Seminário Bíblico Palavra da Vida - SP. Membro da Igreja Ev. dos Irmãos de Coqueiro em Ananindeua - Pará. Vanete Monteiro Paulitsch - Nasci em Belém - Pará. Formação: Magistério; auxiliar de Enfermagem e Licenciatura em Teologia com especialização em educação cristã - Seminário Bíblico Graça - Belém.
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