Esboço pregação – Malaquias 2.10-16 – Pecados relacionados ao casamento

Há muitas metáforas para o casamento. Dentre elas, gosto da que compara o casamento como ‘cola’. Os noivos como duas folhas de papel. O casamento gruda as folhas. Estão unidos para sempre. A sociedade dos nossos dias é, grademente, influenciada por filmes, novelas e a vida das celebridades. Os fazedores de cabeça deste mundo, passo a passo, impregnaram suas idéias e ideais e a igreja se contaminou. A igreja baixou seu padrão em várias áreas. Uma delas foi a vida familiar. O livro de Malaquias retrata a falência espiritual da nação de Israel 400 anos antes de Cristo se encarnar. Entretanto, a Igreja de Jesus, hoje, pode ler Malaquias e, como num espelho, se ver. As denuncias do profeta são palavras ao nosso povo evangélico. Dentre as acusações da infidelidade do povo antigo, que são as do povo de Cristo hoje, está o casamento. O velho chavão de ‘lares fortes – igrejas fortes’ continua verdadeiro. Também, quando a família se desestrutura a sociedade entra em colapso. Os grandes impérios grego e romano são referenciais neste ponto. É por isso que Deus através de Malaquias repreende Seu povo pelo pecado do divórcio. Síntese exegética do parágrafo: Pronunciamento de julgamento através de perguntas de Deus contra a infidelidade do povo à aliança demonstrada nos casamentos mistos e divórcios a fim de recordá-lo da fidelidade de Deus à aliança com o propósito de provocá-lo ao arrependimento. Proposição do texto: Por que o SENHOR exige obediência à Sua Palavra, por isso os crentes devem demonstrar lealdade antes e durante o casamento. 2 pecados são denunciados por Malaquias. Eles tem algo em comum: infidelidade. O contexto do livro esclarece que a desobediência e infidelidade do povo era resultado da apatia espiritual; do abandono do compromisso com a Palavra. A nação levava uma vida de hipocrisia espiritual. A vida religiosa era meramente tradicionalista. Não havia santidade; não havia temor; não havia obediência às leis da aliança. 1. Infidelidade ao Senhor na escolha do cônjuge! 2.10-12 O livro de Malaquias enfatiza várias práticas do povo que comprovam sua falência espiritual. O casamento recebe atenção dupla: com quem casar; e fidelidade ao cônjuge. A lei que proibia o israelita de casar com estrangeiros foi dada como prevenção espiritual e para pureza espiritual. Deus não queria a influência de pessoas que tinham orientação pagã sobre a família da Aliança. Uma maçã podre contamina as boas e não vice-versa. Razões para não se aceitar casamento misto na igreja: 1 – segundo vários princípios bíblicos, o crente deve demonstrar dependência de Deus, confiando que Deus lhe dará um cônjuge que professe a mesma fé; 2 – segundo vários princípios bíblicos, o crente é exortado a casar-se com uma pessoa que ame, obedeça e glorifique a Deus; Pr Augustus Nicodemos no livro: A Biblia e a Família argumenta várias vezes sobre o tema do casamento misto nas igrejas evangélicas sob as óticas do amor do marido e da submissão da esposa. Atitudes que só são possíveis pela atuação do E. Santo. A prática das verdades bíblicas no casamento só são possíveis quando em oração, dependência de Deus; estudo da Palavra e aplicação dos princípios bíblicos. A rejeição da autoridade de Deus e da Palavra conduz pessoas, mesmo crentes, a satisfazer suas necessidades fora do padrão de Deus. ➔     Papeis de textura diferentes; tamanhos diferentes; qualidades diferentes se colam. Por isso, é preciso saber escolher corretamente. 2. Infidelidade ao Senhor na manutenção do casamento! 2.13-16 O ser humano é muito hábil em proteger sua reputação. Afirmamos isto para enfatizar o grande número de desculpas usadas por uma pessoa para defender o rompimento dos laços matrimoniais. Da mesma forma, para sustentar suas convicções de um novo casamento pós divórcio. Várias igrejas aderiram a posição de permitir um novo casamento a quem foi traído pelo cônjuge. Outras, simplesmente, aceitam e realização o novo casamento. O povo de Israel vivia em apatia espiritual. A comunhão com Deus era inexistente. A reverência pela pessoa de Deus e pela Palavra estava falida. Neste contexto, a lei do casamento e seus princípios não tinham bases espirituais para se manter. O que esperar de pessoas que abandonaram a fidelidade a Deus? Quando se deixa a comunhão com Deus e com a Palavra abre-se espaço para outras idéias e ideais. Abre-se o coração para a frustração, egoísmo e assim, a pensar mais em si mesmo do que no outro. Por que se importar com a esposa (o)? Uma palavra sucinta sobre o assunto divórcio e novo casamento. שלה          – termo para repúdio que significa quebrar. É divórcio. Deus odeia o divórcio. Deus considera-o como traição e violência. O padrão da igreja é a Palavra e não o código civil de direito. A Bíblia não dá apoio ao divorcio e muito menos ao segundo casamento. Mateus 19.9 é o único texto que, supostamente, segundo alguns intérpretes dá base ao divórcio e novo casamento para a parte inocente. Sem entrar nos detalhes, creio que adultério não pode ser traduzido e aplicado ao termo ‘porneia’ (traduzido por ‘relações sexuais ilícitas’). Mateus, sob supervisão do E. Santo, teria usado o termo apropriado para adultério, caso fosse esta verdade pretendida e ensinada por Jesus. O termo é de uso amplo para imoralidade sexual. 1ª Co 7.1-3 diz que é a morte do cônjuge que rompe os laços do casamento. O rompimento legal biblicamente é a morte. Não uma morte virtual devido o adultério, como interpretou Lutero e Calvino. O divórcio é uma traição ao cônjuge. Largar a pessoa que lutou, entregou-se, privou-se de coisas por anos é, no mínimo, violência. É a manifestação do coração maligno e egoísta que troca o cônjuge já surrado pelo tempo e pela vida, por outro mais enxuto. ➔     Romper as folhas depois de coladas trará prejuízo para ambas. Elas rasgaram. O divórcio faz mal ao casal e aos filhos se tiverem. A infidelidade a Deus propicia infidelidade no comportamento e na tomada de posições. A propagação do divórcio em Israel teve, no esfriamento espiritual, uma de suas causas. Por isso, devemos cuidar da nossa comunhão com Cristo. Manter constantemente a vitalidade da união com Jesus, a fim de produzirmos frutos de justiça, fé e amor. Devemos ensinar nossos jovens a manter o padrão do casamento na mesma base de fé cristã. Devemos ensinar e treinar os casais para que sejam fieis ao Senhor e assim um ao outro. O poema de Clarice Lispector interpreta a vida conjugal[1].

Não te amo mais.

Estarei mentindo dizendo que

Ainda te quero como sempre quis.

Tenho certeza que

Nada foi em vão.

Sinto dentro de mim que

Você não significa nada.

Não poderia dizer jamais que

Alimento um grande amor.

Sinto cada vez mais que

Já te esqueci!

E jamais usarei a frase:

EU TE AMO!

Sinto, mas tenho que dizer a verdade:

É tarde demais…


[1] O poema na ordem natural das linhas descreve uma realidade. Quando lido na ordem inversa, de baixo para cima, revela outra realidade.

Sobre admin

Egon Paulitsch. Nasci em Ponta Grossa - Paraná. Formação: Bacharel em Teologia pelo Seminário Bíblico Palavra da Vida - SP. Membro da Igreja Ev. dos Irmãos de Coqueiro em Ananindeua - Pará. Vanete Monteiro Paulitsch - Nasci em Belém - Pará. Formação: Magistério; auxiliar de Enfermagem e Licenciatura em Teologia com especialização em educação cristã - Seminário Bíblico Graça - Belém.
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