Esboço pregação – 2ª Coríntios 2.12-17 – Terapia aromática


Este parágrafo testifica que o apóstolo Paulo passou por um tempo de desânimo. A frustração por uma oportunidade perdida gera tristeza. Desânimo e decepção: sentimentos que promovem um estado de apatia e depressão. Como lidar com eles? O apóstolo Paulo lidou com tais sentimentos.

Creio que vocês, às vezes, precisam lidar com eles. É você dona de casa que decidiu fazer um jantar diferente para a família e por alguma razão não conseguiu – visita inesperada; atraso na escola do filho… Acontece com nosos pastores e obreiros. Marcam uma visita. Preparam o material. Filho adoece e precisa ser levado ao médico; carro quebra; a pessoa contactada está com visitas… Desânimo, frustração por um plano fracassado.

A carta de 2ª Coríntios é, em boa parte, uma defesa do ministério de Paulo. O verso 2.14 inicia o maior bloco da carta que termina em 7.4. há um contraste de sentimentos na mente de Paulo. De um lado, a agitação da sua mente provocada pelo desânimo de seu espírito pela oportunidade que fora perdida em Trôade e isto lemos em 2.12 e 13. Some a frustração, as aflições das acusações e mentiras dos falsos pastores. Do outro lado, nos versos e capítulos seguintes, lemos de sua alegria e gratidão.

O nosso texto selecionado de 2.12 a 17 é uma palavra para se lidar com o desânimo e a decepção no ministério e na vida cristã. Paulo se vale, penso eu, de suas lembranças. Arrisco-me a dizer que alguma fragrância aromática influenciou a fé do apóstolo àquela altura de sua vida e ministério. Assim, Paulo se refaz da frustração e anima-se na jornada ministerial. É um encorajamento para mim e para vocês. O texto nos estimula à uma terapia aromática. Vamos ler o texto de 2ª Co 2.12-17.

O texto fala da oportunidade perdida em Trôade. Com certeza, o coração apostólico e pastoral de Paulo ficou mergulhado na decepção, na frustração. A ausência de Tito provoca desânimo em Paulo. O apóstolo, porém, não se deixa abater pelo desânimo. Foi atingido, mas não vencido. O que impulsionou Paulo à alegria? Por que não se deixou abater pela depressão ou pelo desânimo? Por que vocês, irmãos, não precisam se entregar ao desânimo quando uma frustração acontece? A resposta está no propósito das palavras de Paulo no texto da nossa pregação. Tanto para os coríntios como para nós, o princípio que devemos entender é:

Porque o triunfo de Cristo é certo, somos animados nos momentos de desânimo e capacitados na pregação do Evangelho.

O texto ressalta a antiga passeata das entradas triunfais dos comandantes em Roma. Era um evento civil, pois a cidade prestava homenagem ao comandante, mas, também, era um rito religioso onde sacrificavam ao deus marte. No trecho percorrido pela passeata eram colocados recipientes para queimar incenso. Os sacerdotes levavam seus incensários para aromatizar a passagem. Os cativos –  prisioneiros de guerra eram apresentados a Roma simbolizando o poder do general romamo e do império.

Paulo transfere para o ministério da Palavra dois (2) elementos da passeata romana: o triunfo e o aroma. O triunfo e o aroma não são dois eventos divergentes, distantes ou difusos na procissão de Cristo. Eles formam uma única realidade. Eles servem de prelúdio ao pensamento de Paulo no bloco de 2.14 a 7.4. Os elementos são metáforas que ensinam a salvação e a carreira cristã.

A metáfora do perfume ou aroma é enfática no texto. Por isso, é importante, antes de entrarmos nos detalhes do texto, uma rápida noção sobre perfume e aroma.

Para se fazer um perfume, o químico seleciona a essência principal e, depois, segundo seus objetivos adiciona essências secundárias. Mistura-as com álcool; água e fixador.

O recipiente tem, atualmente, mais valor comercial e estético. No passado não era assim.

Os perfumes e aromas tem a capacidade de agir na memória das pessoas. É uma situação de causa e efeito. Exemplos: (negativo) Algo pessoal – perfume de fragrância de jasmim me lembra cemitério. Razão: Cresci ajudando meu pai em seu trabalho. Ele era funcionário do Sesi em Ponta Grossa. Na época, o Sesi ficava em frente ao cemitério municipal da cidade. Quais eram as árvores que rodeavam o cemitério? Jasmim. Um aroma positivo é o cheiro de gordura no ar. Lembra-me da minha família e amigos reunidos para comer um bom churrasco de costela gaúcha. Com certeza, você tem lembranças provocadas pelo perfume ou aroma. Assim, penso que foi algum aroma que trouxe a mente de Paulo a certeza do triunfo de Cristo e lhe proporcionou uma terapia, ajuda nos momentos de desânimo.

Há no texto 3 efeitos proporcionados pela lembrança do triunfo.

1º (efeito) Por causa da certeza do triunfo de Cristo somos libertos do desânimo. – 2.12-14a

Um esclarecimento acerca da razão de usar o texto para todos os crentes e não somente aos pastores, como preferem alguns interpretes. O uso de ‘nós’ aqui, não é um recurso linguístico para humildade. O ‘nós’ é uma intenção de coletividade. A Igreja está contemplada. É a Igreja que é triunfalmente conduzida em Cristo por Deus.

O enorme regozijo de Paulo está no fato de que Deus trabalha e trabalha através dele. Louvar a Deus é a resposta para o desânimo. A razão da ações de Graça: Deus prossegue triunfalmente. Esta é a grande ênfase da carta. A temática poder – fraqueza que percorre toda a carta é  a intenção de Paulo com a metáfora do triunfo e aroma.

No cortejo da procissão triunfal em roma, os sacerdotes balançavam seus incensários por todo o caminho. Havia recipientes de incenso dispostos pelas ruas até o campo de Marte – o deus da guerra para os romanos. Era o local de adoração do general e do seu exército.

Há no inicio do verso 14 uma ação de Deus, por meio de Cristo, na vida de Paulo: Deus o conduz em triunfo. Paulo comparou o incrível avanço do Evangelho ao triunfo romano. Harris afirma o seguinte: ‘Cristo empreendeu uma batalha que não era sua por direito; Nós compartilhamos de um triunfo que não é nosso.’

Paulo é consolado com a imagem do triunfo. Os crentes não são vistos como os cativos. embora, sejamos conquistados por Cristo. Na verdade, conquistados por Deus que nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Seu Filho – Cl 1.13. Paulo usa a imagem da conquista em Efésios 4.8, indicando Sua completa vitória e os crentes como cativos. Aqui em 2ª Co, porém, Paulo vê todos os crentes como o exército vencedor. Nós, os crentes em Cristo, participamos do cortejo como soldados do exército liderado pelo comandante Jesus Cristo – o Senhor da Glória, o cordeiro da cruz. Paulo aponta para a passeata como a peregrinação neste mundo. Por isso diz: ‘sempre nos conduz em triunfo’.

Trôade e a porta não aproveitada estava no controle soberano e onipotente de Deus. Deus abre e Deus fecha portas. Ele é Senhor em todos os detalhes. A condução triunfal de Deus através de Cristo na vida de Paulo resultou na igreja de Filipos – Atos 16.

Não é uma palavra de triunfalismo. ‘Com Jesus no barco, tudo vai bem na viagem para Jerusalém’. Vamos passar por aflições; angústias; afrontas. Jesus já nos preveniu. Paulo exemplifica isto. Deus nos conduz em triunfo – sempre. “Lembremos dos mártires da igreja – Policarpo, por exemplo. Recordemos dos 6 mártires de Lion (dar alguns detalhes do acontecido). Deus os conduziu em triunfo. Da caverna onde ficaram, passando pelo túnel até a arena romana. Pensem em Blandina, a jovem cristã que não negou sua fé e foi conduzida em triunfo por Deus diante de touros, leões; depois um chapa de ferro quente e por fim o verdugo. Sua morte não foi uma derrota, foi a vitória de Cristo sobre o império das trevas”.

Se você não quer se entregar ao desânimo, à uma atitude depressiva, então louve ao Senhor:

-         Pois você recebeu a vitória da cruz e da ressurreição;

-         Por conduzí-lo em triunfo em todas as situações. Você não perdeu o emprego ou aquele emprego em vão!

-         Por colocar você na família em que está; morar no bairro em que vive. Pelo trabalho que lhe deu ou a escola em que estuda. Você já considerou a razão de tais coisas acontecerem em sua vida? Não é erro. Deus está conduzindo você em triunfo.

-         Louve, pois a gratidão é um dos melhores remédios contra o desânimo e a frustração.

É neste lugar onde você está que Deus quer que viva à luz da certeza do triunfo de Cristo. Não se entregue à frustração. Vamos ao segundo efeito que ajuda a esclarecer a alegria da certeza do triunfo.

2º (efeito) Por causa da certeza do triunfo de Cristo manifestamos o bom perfume de Cristo. 2.14b – 16

Parte final do verso 14, há a segunda ação de Deus a qual é descrita pela manifestação da fragrância do Seu conhecimento através de Paulo. Paulo comparou a disseminação da fragrância dos incensos na passeata do triunfo com a manifestação aromática do conhecimento de Deus por meio da Igreja. A metáfora do triunfo é provocativa, pois demonstra que Deus conduz os Seus servos conquistados em triunfo como recipientes de Sua fragrância. Dá-lhes o privilégio de participarem no exército de Cristo. Os servos cativos do comandante Jesus Cristo são apresentados como aliados e não como despojos de guerra. É através da Igreja que Deus espalha a fragrância do conhecimento de Si mesmo.

A descrição do aroma envolve todo o parágrafo. É o aroma que se manifesta no caminho percorrido. O cheiro nos permite associações. Lembre-se de nossa aulinha. “Quanto você (esposa) passa por um lugar, sente um perfume e lembra de maridão. O perfume de uma flor lhe recorda sua casa ou um lugar. O cheiro de uma comida (para muitos homens) traz a memória a saudade da esposa ou da mãe”.

Talvez isto nos faça entender o prazer de Deus na propagação do evangelho através da pregação. Há um aroma que se espalha no ar por meio da pregação pura e verdadeira do evangelho de Cristo. Deus o exala. Lembre-se: Quando pregamos a Palavra – a Pessoa de Deus, Seu caráter e seu plano eterno se manifestam no mundo.

No verso 15 -

A palavra para perfume muda quando Paulo diz que ele é ‘o bom perfume de Cristo’. A indicação é ‘o cheiro agradável dos sacrifícios do templo de Jerusalém’. O que a frase significa? O  perfume que vem de Cristo; ou o perfume que é Cristo? O resultado é a aromatização do lugar por meio do apóstolo, pois o perfume é Cristo. Atente às seguintes verdades: (1) O aroma propagado tem um propósito: a pessoa de Deus. (2) O aroma propagado produz uma separação e um julgamento. Podemos pensar em romanos 12.1 – meu corpo, um sacrifício vivo. Vemos aqui um convite à adoração quando diz: somos um aroma agradável de Cristo que Deus aspira.

Os incensos na passeata provocavam efeitos: sentimentos de alegria e de vitória para os conquistadores; porém para os conquistados, as fragrâncias produziam tristezas, dores e medo. Muitos deles morriam nas arenas como parte do espetáculo da guerra.

Assim, quando as pessoas aspiram a nossa pregação ou ensino de Cristo e Seu Evangelho, o resultado é: ou cheiro de morte para os incrédulos ou cheiro de vida para os que se convertem. Que cheiro você aspira agora? Quando você ouve a palavra do evangelho que cheiro ela produz em você? Não nos esqueçamos de Isaías 55.11. A Palavra cumpre o propósito estabelecido por Deus. Nós não somos responsáveis pelos resultados. Somos, entretanto responsáveis pela qualidade do conteúdo da mensagem.

Quem é capaz ou idôneo para entender a manifestação da salvação de Deus, pergunta Paulo. Podemos estudar essa doutrina, mas o entendimento completo só na eternidade.

Aprendemos, então que:

-         Nós somos o recipiente onde está o Verdadeiro perfume – Cristo. É Cristo que espalhamos.

-         Sua pregação, ensino da Palavra é bênção para os que se convertem.

-         Sua pregação e ensino da Palavra e cheiro de morte para os que perdem. Isto pode, às vezes, trazer perseguições; afrontas…

Deus nos conduz em triunfo. Espalhamos sua fragrância. Por isso, o 3º efeito é impactante se queremos apresentar Cristo – o bom perfume.

3º (efeito) Por causa da certeza do triunfo de Cristo pregamos fielmente a Palavra. 2.17

O verso 17 é a explicação a respeito de Paulo ser recipiente do bom perfume.

O uso das figuras do triunfo e do aroma é o contraponto oferecido por Paulo aos Coríntios, visto que a igreja fora infectada pelo ensino dos falsos mestres. Os pseudos pastores espalharam difamações sobre a vida e ministério de Paulo. Elas geraram aflições e decepções.

Como podemos ser ministros para o louvor da Glória de Deus? A certeza do triunfo é o instrumento que Deus usa para nos capacitar.

A vida de Paulo ensina: sinceridade; fidelidade à verdade; transparência… Ingredientes de um ministério santo e uma vida santa. São essências que, aliadas à Pessoa de Cristo, produzem um perfume agradável a Deus. Pensemos: a pregação fiel é uma declaração de amor e de gratidão pela salvação recebida. Quem considera e medita no plano eterno da salvação executado pelo trino Deus – desde a eternidade passada, na encarnação e na consumação da vitória responde em santidade e fidelidade.

Quem mercadeja – barganha a verdade eterna não exala o bom perfume. Paulo é positivo. Ele pensa na sua conduta, no seu ensino e na sua pregação.  Sua consciência está cativa à Palavra, como disse séculos depois Lutero. Por isso, com firmeza declara ser um bom perfume para Deus.

Somos conduzidos por Deus em triunfo para exaltarmos a Cristo através da pregação de Palavra.

Calvino se expressou desta maneira: “A força do Evangelho é tal que nunca pregamos em vão. Ele é eficaz, conduzindo à vida ou à morte”.

Conclusão:

Um perfume é composto de várias essências. Há a principal. Há essências secundárias que o  químico seleciona. Mistura-as para formar o perfume pretendido. A partir destas informações, aplicamo-las assim: Cristo é a essência principal. O cristão é o recipiente. Dificuldades; dores; decepções; vitórias; bênçãos são outras essências que Deus, o químico-chefe usa para produzir por meio da vida do discípulo o bom perfume de Cristo. Porque o triunfo de Cristo traz certeza, você é animado nos momentos de desânimo e capacitado na pregação do Evangelho.

-         Qual é o aroma que as pessoas aspiram da sua vida?

-         Para manifestar Cristo é preciso tê-lo como Senhor e Salvador de sua vida. Se você não é salvo por Jesus: arrependa-se de seus pecados e confesse Cristo como Salvador. Se você não é de Cristo, então, não há a melhor essência em sua vida.

-         Deus, que é soberano, conduz você que é crente em triunfo, apesar dos problemas, na sua casa para que você aromatize os seus familiares com a pessoa de Cristo.

-         Deus, que é sábio, conduz você que é crente em triunfo, apesar das dificuldades, aos seus colegas de sala de aula, vizinhos e amigos de trabalho para que você aromatize as pessoas com o caráter de Cristo.

(abrindo e passando um perfume)

Toda vez que você usar um perfume, lembre-se: Deus quer usar você como o perfume de Cristo.

Sobre admin

Egon Paulitsch. Nasci em Ponta Grossa - Paraná. Formação: Bacharel em Teologia pelo Seminário Bíblico Palavra da Vida - SP. Membro da Igreja Ev. dos Irmãos de Coqueiro em Ananindeua - Pará. Vanete Monteiro Paulitsch - Nasci em Belém - Pará. Formação: Magistério; auxiliar de Enfermagem e Licenciatura em Teologia com especialização em educação cristã - Seminário Bíblico Graça - Belém.
Esta entrada foi publicada em Esboço de pregações e marcada com a tag . Adicione o link permanente aos seus favoritos.

4 respostas a Esboço pregação – 2ª Coríntios 2.12-17 – Terapia aromática

  1. Rosa Ocampos disse:

    Com sua permissão vou pregar essa mensagem de 2ª Corintios. Posso?

    Deus lhe abençõe!!!!!!!!!

    • admin disse:

      Oi Rosa!
      Obrigado por acessar o blog.
      O material é compartilhado para que irmãos sejam edificados e usem para abençoar outros. Pode usar sim.
      Na Graça de Cristo,
      Egon

  2. katia disse:

    Parabens pela maravilhosa leitura e perfeita reflexão com que vc nos abençoou.
    Se vc permitir gostaria de apresentar este estudo em uma pregação?
    Fique com Deus e que Ele continue te abençoando, para nos abençoar.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

*

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>