Crônicas proverbianas – Provérbios 23.13,14

A vara

Ah! Benditas palmadas. Levei muitas “lambadas”. Apanhei de cinto; de corda; de fio elétrico… Muitas surras levei da mamãe. Meu pai me bateu poucas vezes, mas valeram por muitas. Mereci todas elas? Nem todas, mas a maioria. Fui uma criança que viveu a infância com toda a intensidade. Brinquei. Joguei bola. Empinei pipa. Corri. Briguei pouco. Assim, com tantas coisas para fazer me esquecia de atender o chamado da mãe. Envolvido nas atividades, não me dava conta de que o tempo passou e deveria ter voltado. Uma criança típica de sua época e lugar. A disciplina da vara não era só em mim. Meu irmão apanhou. Meus amigos apanharam. Alguém morreu por causa disto? Ninguém. Alguém ficou traumatizado? Ninguém. Todos cresceram. Hoje são homens e mulheres que, ao seu próprio modo, são cidadãos de bem. Abençoadas cintadas que livraram vários de nós da marginalidade.

Ah! Benditas palmadas. Agora vejo a lei do governo que segue a orientação da psicologia: “Proibido bater.” Como crente sei da orientação bíblica – usar a vara. Provérbios fala claramente sobre como disciplinar o filho. Minhas filhas receberam o tratamento bíblico. É o amor. Pai e mãe que amam, corrige. Uma ação amorosa. Dolorosa no “bumbum” e, muitas vezes, no coração do pai. Mas, corrigir é preciso. É prevenção contra má formação do caráter. É um atestado de longevidade. Está em Provérbios 23.13,14. A vara foi a verdade de Deus para livrar a minha alma dos caminhos malignos.

Ah! Benditas palmadas. Infelizmente, muito do uso da vara é errado. Sofri deste erro. Pratiquei erradamente. Tive que reconhecer meus erros em confissão às minhas filhas. Sentimentos de raiva que conduziram à aplicação no local inapropriado. Também, impediu a percepção da força que usei. Creio que contribui para livrar dos seus corações a estultícia. Ajudei-as a amarem a sabedoria. Há, entretanto, o jeito certo de fazer. Regra sem relacionamento resulta em rebelião. Regra e relacionamento redirecionam a razão ao Redentor. Benditas as mãos que usam a vara com amor.

Ah! Benditas palmadas. A nova ordem, porém é conversar. Conversa é bom e tem seus benefícios. Ela constrói a amizade entre pais e filhos. Conversa alerta do mal, mas não conserta a inclinação natural ao erro, ao pecaminoso. A vara edifica o caráter. A vara e a conversa são uma excelente combinação. O uso de uma em detrimento da outra é falho.

Ah! Benditas palmadas. Os corredores dos supermercados expõem os produtos da psicologia. – “Meu filho, coloque de volta o biscoito”, fala a mãe tentando ser paciente. Não resolve, então: Tira o pacote do carrinho e devolve-o na gôndola. O filho bate o pé e diz: – “eu quero este.” A mãe retruca. – “Não. Já comprei outros.” – “Eu quero” grita o pequeno rei. Daí, o menino começa a chorar e a rolar no chão. Uma senhora idosa ensaia uma palavra para amenizar a situação. – “As crianças de hoje são danadas demais!” Alguém ao lado fala: – “Falta umas benditas palmadas.” O campeão da manipulação sorri vitorioso.

Sobre admin

Egon Paulitsch. Nasci em Ponta Grossa - Paraná. Formação: Bacharel em Teologia pelo Seminário Bíblico Palavra da Vida - SP. Membro da Igreja Ev. dos Irmãos de Coqueiro em Ananindeua - Pará. Vanete Monteiro Paulitsch - Nasci em Belém - Pará. Formação: Magistério; auxiliar de Enfermagem e Licenciatura em Teologia com especialização em educação cristã - Seminário Bíblico Graça - Belém.
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2 respostas a Crônicas proverbianas – Provérbios 23.13,14

  1. Raquel Donadelli disse:

    Bom dia, graça e paz
    Estava hoje(16/12) lendo a notícia da lei da palmada e pensei: Mas onde fica o que diz Deus em sua palavra? prov. 23.13. Onde este mundo vai parar? Se as crianças não tiverem limites….ai meu Deus. Sou psicóloga, professora e cristã e sou contra a lei das palmadas. Navegando no google me deparei com seu blog….parabéns….eu penso como o senhor. Sábias palavras que deveriam ser propagadas ao “experts” em educação.
    Ah benditas palmadas que também levei e que me ajudaram muito a crescer.
    Que Deus o abençoe.
    Raquel

    • admin disse:

      Oi irmã Raquel!
      É a situação se configura para viver tempos difíceis. Vamos esperar para ver todas as implicações da lei quando for sancionada pela Presidente.
      Caso queira ler mais sobre o uso da vara indico-lhe o livro de Paul Tripp (editora Fiel) Pastoreando o coração da criança.
      Deus lhe sustente e use-a na vida de muitos pais para que criem seus filhos em obediência ao Senhor e Sua Palavra.
      Egon

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